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Anima Mundi 2018: artista brasileiro de Ilha dos Cachorros revela dores e delícias de trabalhar com cinema

Compartilhe! 06 de Agosto de 2018
 
 
Assistir aos curtas e longas-metragens exibidos no Anima Mundi no Rio de Janeiro e em São Paulo já virou tradição para cinéfilos apaixonados por animação. Em sua 26ª edição, o festival também trouxe o aguardado Anima Forum, que traz profissionais de destaque para aulões especiais, como Kevin O'Brien (Pixar) e também o brasileiro Matias Liebrecht, animador que trabalhou no aclamado Ilha dos Cachorros, de Wes Anderson, atualmente em circuito.
Nas três horas da palestra de Liebrecht havia um desafio: explicar a "Eterna Batalha do Animador", título do workshop, e ainda demonstrar um pouco de seu trabalho ao vivo, com um stop motion sendo registrado em tempo real para uma plateia vidrada, em busca de aprender truques, técnicas ou até mesmo o caminho das pedras para o mercado internacional.
 
 
Com 15 anos de carreira, Matias trabalhou com Tim Burton em Frankenweenie e também em Kubo e as Cordas Mágicas e Minha Vida de Abobrinha, mas apesar do sucesso no cinema, ele credita sua escola à série alemã Dragon: "Na televisão aprendi a ter rapidez e eficiência. Filmes são ótimos para o currículo, mas na rotina o trabalho é o mesmo, tenho uma grande cobrança pessoal".
Eficiência que é, aliás, palavra-chave para a vida de um animador de sucesso, mas ainda assim passa longe do que é esperado numa produção live-action (com atores de carne e osso). Para se ter ideia, numa animação ao estilo de Ilha dos Cachorros ou Frankenweenie, é esperado que um animador consiga captar de 1 a 5 segundos de ação do filme numa diária. Se isso parece demorado para você, então lá vem o susto: em Kubo e as Cordas Mágicas, o volume de tempo produzido foi ainda menor, entre 0,5 e 1 segundo por dia.
No stop motion, 24 fotos são tiradas em sequência, com os pequenos movimentos da cena, para que um segundo se forme na tela. Isso constitui os famosos 24 quadros que o cinema trabalha - no caso da TV, por exemplo, seria algo entre 29 ou 30. Na técnica utilizada por Liebrecht para estes grandes filmes, praticamente tudo o que há em cena existe de verdade, entre bonecos e cenários, e tudo precisa ficar fixo entre uma foto e outra para movimentar somente o necessário para contar a história. Se algo sai do lugar, dá problema! Então vale tudo: supercola, prego no pé do personagem e às vezes até um pouquinho de improviso.
Tal qual atores, os bonecos também acabam criando algo não previsto no roteiro - ou melhor, seus animadores! Se uma foto não dá continuidade de movimento com a outra ou se é preciso refazer algum pedaço da cena, os truques vem à tona e acabam enganando o olho do espectador. "O importante é que o personagem vá de A até B com a expressão X. O que acontece no meio pode variar, os diretores podem dar liberdade para isso", explicou Liebrecht. 
 
Nos 90 minutos que acompanhamos Matias Liebrecht em ação ao vivo, conseguimos perceber o nível de perfeccionismo que precisa ser aplicado ao trabalho e, ainda assim, percalços podem surgir - bonecos quebram, arquivos se perdem... Tudo acontece. Mas, no final, vale a pena: "Entre os filmes que animei, Ilha dos Cachorros é um dos melhores em termos de cinema. É o mais bem acabado. História, elenco, animação, tudo", comentou orgulhoso.
 
Depois de viajar o mundo em projetos de cinema e TV, Liebrecht está de volta a São Paulo para uma batalha diferente como animador: trabalhar em sua cidade natal e parar num só lugar. "Não conseguia comprar um quadro para a minha sala!", brincou sobre a vida nômade. A recheada programação da 26ª edição do Festival Anima Mundi exibiu mais de 400 filmes no Rio de Janeiro e em São Paulo e premiou ainda seis produções entre curtas e longas; veja a lista completa dos vencedores. 
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